A maioria das marcas de varejo já estabelecidas acaba passando por uma replataformização de e-commerce. A replataformização é o processo de transferir todo o e-commerce, junto com os sistemas por trás dele, de uma plataforma para outra, movendo dados de produtos, informações de clientes, elementos de design e integrações para melhorar o desempenho, desbloquear novos recursos ou sustentar o crescimento do negócio. Espera-se que as vendas globais de e-commerce alcancem US$ 6,88 trilhões até o fim de 2026, com as transações online já representando mais de 20% de todo o varejo no mundo. Para empresas que esbarram nas limitações da plataforma, a migração de e-commerce costuma ser uma forma prática de eliminar gargalos e continuar crescendo.
De acordo com um estudo Time to Value realizado com uma consultoria de referência, as marcas que migram para a Shopify fazem a implementação, em média, 20% mais rápido que a concorrência, têm 66% mais chances de cumprir o prazo e são 3 vezes mais propensas a respeitar o orçamento. Isso mostra que uma migração bem planejada não precisa ser aquele processo caro e demorado que muitos imaginam.
A plataforma que você escolher terá impacto direto no tempo de atividade do seu site, na experiência do usuário (UX), na escalabilidade e na capacidade de fazer mudanças com rapidez. A replataformização não é apenas uma atualização técnica. Ela afeta a receita, os fluxos de trabalho do dia a dia e a rapidez com que sua equipe consegue lançar novas iniciativas.
Se a sua plataforma não está acompanhando as necessidades do seu negócio, ou se você está gastando mais tempo e dinheiro em manutenção do que pode bancar, provavelmente é hora de mudar.
Por muito tempo, a migração de e-commerce foi vista como um fardo demorado e caro. E, sem um plano e uma estratégia de execução adequados, ela pode ser exatamente isso. Mas permanecer na plataforma errada pode sair igualmente caro, especialmente quando problemas de desempenho, lacunas de integração e soluções improvisadas começam a se acumular.
Este guia apresenta um processo completo de replataformização e migração de e-commerce, incluindo um checklist de replataformização, um roteiro para tomar decisões e passos práticos para proteger o SEO e a receita durante a transição, preparando seu negócio para crescer.
O que é replataformização de e-commerce?
A replataformização de e-commerce é o processo de transferir todo o e-commerce, junto com os sistemas por trás dele, de uma plataforma para outra. Ela envolve a transferência de dados de produtos, informações de clientes, elementos de design e outros componentes relevantes. Essa migração costuma ser feita para deixar a plataforma antiga para trás, aprimorar recursos, melhorar o desempenho ou acompanhar o crescimento do negócio.
Alguns dos motivos mais comuns para replataformizar incluem:
- Melhorar o desempenho e a velocidade do site
- Adicionar novos recursos e funcionalidades que não estão disponíveis na plataforma atual
- Experimentar novos modelos de negócio ou infraestrutura de e-commerce
- Enriquecer a experiência do cliente com recursos como localização e personalização
Replataformizar nem sempre significa trocar de um provedor de serviços para outro. Algumas marcas migram de uma plataforma de software como serviço (SaaS) para uma infraestrutura própria, ou fazem o caminho inverso. "Migração" pode significar mover dados, URLs ou infraestrutura, enquanto "replataformização" geralmente se refere a uma mudança arquitetural mais ampla, que afeta o modo como o negócio opera.
Replataformização x otimização da plataforma: como decidir
Nem toda frustração com a plataforma exige uma migração completa.
Às vezes, a melhor decisão é otimizar o que você já tem. A replataformização faz sentido quando o problema está na plataforma, e não na configuração. Antes de optar pela replataformização, identifique quais problemas podem ser resolvidos com mudanças de configuração, novas integrações ou pequenas atualizações. Outros, porém, são de natureza arquitetural.
Considere otimizar sua plataforma atual se:
- Seus problemas principais estão ligados à velocidade do site, ao SEO ou à UX, e sua plataforma permite fazer as correções
- Você tem um ecossistema de integrações estável e que funciona bem
- O fornecedor da sua plataforma tem um roadmap de produto confiável que atenda às suas necessidades
- O custo e o transtorno da migração superam os ganhos esperados
⠀Considere replataformizar se:
- Você atingiu limites técnicos intransponíveis (por exemplo, limites de personalização do checkout ou impossibilidade de operar em novos canais de venda)
- Os custos de manutenção e de soluções improvisadas se acumulam ano após ano
- O ritmo de inovação do seu fornecedor desacelerou e concorrentes em plataformas modernas estão saindo na frente
- Você precisa de uma flexibilidade arquitetural que a plataforma atual não oferece, como recursos de commerce headless ou composable (veja mais sobre isso a seguir)
Tipos de replataformização e migração de e-commerce
Em geral, existem três tipos de replataformização e migração no e-commerce:
- De plataforma para plataforma: consiste em trocar uma solução de e-commerce monolítica por outra com mais recursos ou integrações. A migração pode ocorrer entre soluções em nuvem, SaaS ou on-premise. Por exemplo, migrar do Magento (agora Adobe Commerce) ou da BigCommerce para a Shopify.
- Migração em fases: a transição da sua loja acontece em etapas, em vez de tudo de uma vez. Por exemplo, você pode migrar para um sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS) diferente e manter alguns elementos da sua stack de tecnologia atual.
- De monolítico para microsserviços: essa abordagem permite separar partes da sua stack de e-commerce e substituí-las aos poucos, em vez de migrar tudo de uma só vez. Costuma estar associada ao commerce headless ou a arquiteturas composable, em que diferentes sistemas (CMS, busca, checkout) se conectam por meio de APIs.
A maioria das migrações se encaixa em um desses três tipos, mas a execução varia conforme a arquitetura.
Quando planejada e executada com cuidado, a replataformização pode trazer ganhos mensuráveis. Por exemplo, a marca de moda e esporte J.Lindeberg migrou para a Shopify (artigo em inglês) em 16 semanas e usou a nova plataforma para fortalecer a apresentação da marca e o engajamento dos clientes, o que resultou em um aumento de 70% na receita e uma alta de 7% na taxa de conversão.
Estatísticas de migração de e-commerce
A necessidade de modernizar as plataformas acompanha a expansão das compras online. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, 52% dos usuários de internet brasileiros compraram produtos ou serviços pela internet nos 12 meses anteriores ao levantamento. O resultado reforça a importância de oferecer uma experiência de compra eficiente para atender a esse público.
Para acompanhar essa demanda, as empresas estão recorrendo a soluções de e-commerce em nuvem e SaaS que ajudam a escalar e a melhorar os fatores a seguir, que têm grande impacto na fidelidade dos clientes e nas taxas de vendas:
- Experiência do usuário: segundo a mesma pesquisa TIC Domicílios 2025, citada acima, 99% dos usuários de internet brasileiros acessam a rede pelo celular. Embora esse indicador não se refira exclusivamente às compras online, ele reforça a importância de oferecer uma experiência rápida, intuitiva e adaptada aos dispositivos móveis, sem prejudicar a navegação pelo computador.
- Opções de pagamento: segundo o Global Payments Report 2026, da Worldpay, as carteiras digitais responderam por 56% do valor gasto no e-commerce mundial em 2025. No Brasil, é importante considerar também meios de pagamento populares, como Pix e cartão de crédito, ao avaliar uma nova plataforma.
- Checkout e taxas de conversão: o abandono de carrinho continua sendo um grande problema para o e-commerce. Segundo um levantamento do Baymard Institute, a taxa média de abandono é de 70,22% (artigo em inglês). Entre os consumidores norte-americanos pesquisados, 17% apontaram um checkout longo ou complicado como motivo para desistir da compra, e outros 17% citaram erros ou travamentos no site.
- Velocidade do site: páginas lentas podem prejudicar a experiência de compra e aumentar o risco de abandono do carrinho.
Muitos desses problemas (especialmente checkout ruim, tempo de atividade e velocidade do site) têm relação direta com os recursos da plataforma e com as restrições arquiteturais. Segundo uma estimativa do Baymard Institute, grandes sites de e-commerce podem alcançar ganhos potenciais de conversão de aproximadamente 35% ao otimizar o design do checkout (artigo em inglês).
A migração de e-commerce pode ser cara e demorada, mas um bom modelo de planejamento e execução ajuda a reduzir os transtornos e a manter os custos sob controle. Para muitas marcas em crescimento, os ganhos de longo prazo em escalabilidade, desempenho e eficiência operacional compensam o investimento inicial.
O que os dados mais recentes mostram sobre o comportamento do comprador e os riscos
Juntos, esses números mostram um caminho claro para planejar a migração. O uso predominante do celular reforça a importância do design mobile-first, enquanto a diversidade de meios de pagamento exige plataformas capazes de atender às preferências dos consumidores. E a taxa de abandono de carrinho, que segue em torno de 70%, indica que a UX do checkout deve ser um dos principais critérios na hora de escolher uma nova plataforma.
Para as equipes de varejo e e-commerce que estão avaliando uma replataformização, o verdadeiro risco não está em migrar, mas em continuar em uma plataforma que não acompanha essas mudanças.
Nove pontos a considerar antes de replataformizar seu negócio de e-commerce
Seja esta sua primeira replataformização de e-commerce ou não, há vários fatores a considerar antes de começar. Esses fatores ajudam você a avaliar se a replataformização é a decisão certa e a estabelecer critérios para medir o sucesso do projeto.
1. Resultado esperado para o negócio
A maioria das organizações considera a replataformização quando lança novos produtos, entra em novas regiões, adota novos métodos de pagamento, expande o negócio ou precisa resolver vários problemas de uma só vez.
Seja qual for o motivo, não vale a pena investir tempo, dinheiro e esforço na replataformização se ela não trouxer melhorias significativas no design, na funcionalidade, no desempenho e nos resultados.
A replataformização é um investimento de longo prazo. Portanto, defina objetivos claros para a migração e escolha uma solução que atenda a esses requisitos e acompanhe a próxima fase do seu crescimento.
Defina o que é sucesso em termos mensuráveis, como melhora na taxa de conversão, site mais rápido, redução dos custos de manutenção ou expansão para novos canais.
2. Custos
Os custos de replataformização e migração de e-commerce variam conforme a complexidade da transição.
Entre os fatores que influenciam o custo estão:
- Plataforma de e-commerce
- Tipo de migração e decisão de fazer o trabalho por conta própria ou contratar uma empresa para executá-lo
- Tempo de inatividade durante a transferência
- Testes e lançamento
- Monitoramento de desempenho
- Manutenção da nova plataforma
- Treinamento da equipe
Antes de tomar uma decisão, estime tanto o investimento inicial quanto os custos operacionais recorrentes. Inclua infraestrutura, equipe de desenvolvimento, integrações e manutenção de longo prazo.
3. Recursos e funcionalidades da plataforma
Você não está migrando para outra plataforma apenas pela aparência, mas principalmente pelos recursos que ela oferece.
Compare os recursos das plataformas modernas de e-commerce com as limitações da sua plataforma atual. Concentre-se em recursos que eliminam gargalos operacionais ou impulsionam o crescimento, e não apenas em melhorias estéticas. Por exemplo, avalie a flexibilidade do checkout, o desempenho em períodos de pico e as vendas internacionais.
4. Integrações sem falhas
Sua plataforma atual talvez já se integre a plugins, extensões e apps que garantem o bom funcionamento de áreas essenciais, como CRM (sistema de gestão de relacionamento com o cliente), marketing, vendas e pagamentos.
Sua próxima plataforma deve se integrar sem complicações à infraestrutura atual e ser compatível com os sistemas existentes, sem comprometer o desempenho nem adicionar complexidade desnecessária.
Por exemplo, se o seu aplicativo de vendas funciona bem, a nova plataforma deve ser compatível com ele e com outros sistemas essenciais do negócio, sem comprometer o desempenho.
Se forem necessárias mudanças, faça uma auditoria da sua stack de tecnologia desde o início para identificar o que precisa ser mantido, substituído ou consolidado e como os dados vão circular com segurança entre os sistemas.
5. Habilidades e conhecimento técnico da sua equipe
A replataformização é uma grande mudança organizacional que exige o envolvimento de todos, não apenas dos desenvolvedores.
Do marketing às finanças, passando pelas equipes de TI e de conteúdo, você precisará envolver todos os setores e garantir que as equipes tenham as habilidades necessárias para conduzir o processo. Avalie se a sua equipe interna consegue gerenciar a implementação, as integrações e a otimização contínua, ou se serão necessários parceiros externos.
A escolha da plataforma deve estar alinhada à capacidade da sua equipe. Escolher uma solução que exige muito desenvolvimento personalizado pode obrigar você a contratar especialistas.
6. Plano de gestão de mudanças e treinamento
A replataformização mexe na sua stack de tecnologia e nos seus fluxos de trabalho. Sem um plano de gestão de mudanças bem estruturado, sua migração pode enfrentar dificuldades na fase de adoção, mesmo que seja tecnicamente impecável.
Defina responsáveis claros pelo treinamento e pela comunicação interna já no início do processo. Identifique quais áreas serão mais afetadas pela mudança (equipes de merchandising, marketing, atendimento ao cliente e finanças) e crie planos de capacitação específicos para cada uma delas.
Avalie a adoção do novo sistema em momentos importantes: antes do lançamento, durante a primeira semana após o lançamento e 30, 60 e 90 dias depois. Isso ajuda a garantir que as equipes se sintam confiantes ao usar o novo sistema e que os fluxos de trabalho funcionem como esperado.
7. Atendimento ao cliente
Mesmo com uma equipe fantástica, você também vai precisar de um time de atendimento ao cliente ágil, capacitado e simpático para coletar feedback e resolver problemas, especialmente durante e logo após a migração.
Verifique se a plataforma de e-commerce escolhida oferece atendimento nos horários e canais necessários para sua operação, como chat ao vivo, e-mail ou telefone, além de artigos de ajuda e tutoriais. Confira também quais modalidades de suporte estão incluídas no plano contratado.
Para equipes maiores, avalie também como os problemas serão encaminhados para os níveis adequados de suporte, considerando recursos como atendimento dedicado e acordos de nível de serviço. Quando há receita em jogo, o tempo de resposta importa.
8. Momento da replataformização e da migração
O momento escolhido para replataformizar e migrar pode afetar suas conversões e sua receita.
Embora nunca haja um momento ideal para replataformizar, o melhor costuma ser fazer isso em períodos de menor movimento, como horários fora de pico ou quando o site recebe poucas visitas. Assim, você minimiza o tempo de inatividade e os transtornos, além de conseguir identificar e corrigir eventuais problemas com o menor impacto possível para o negócio.
9. Impacto de longo prazo e mudanças futuras
A replataformização é um investimento de longo prazo. Pense nos possíveis impactos no negócio, nas mudanças futuras do mercado e em eventuais rupturas.
Se seus planos incluem expandir para novos mercados, adotar uma arquitetura headless ou migrar para um modelo de commerce composable, certifique-se de que a plataforma escolhida consiga acompanhar essa evolução sem exigir outra migração cara.
O objetivo não é apenas resolver as limitações atuais, mas escolher uma arquitetura que não imponha novas restrições daqui a dois ou três anos.
12 passos para replataformizar seu e-commerce
Replataformização e migração de e-commerce são termos usados como sinônimos para descrever a transferência de uma loja virtual de uma plataforma para outra. O escopo do projeto, incluindo custos, recursos, cronograma e etapas, varia conforme o tamanho e a complexidade do negócio.
Uma migração bem-sucedida, no entanto, costuma seguir um processo estruturado, com estas etapas:
- Identificar suas necessidades e prioridades de replataformização
- Reunir os stakeholders
- Pesquisar uma nova plataforma de e-commerce
- Planejar a migração do e-commerce
- Fazer backup dos dados da sua loja
- Projetar e desenvolver a nova loja online
- Migrar os dados da loja
- Otimizar a experiência de checkout
- Realizar uma auditoria de SEO pré-lançamento
- Testar (e testar mais um pouco)
- Lançar o site
- Monitorar após o lançamento
Confira os detalhes de cada etapa.
1. Identificar suas necessidades e prioridades de replataformização
Analise sua plataforma atual para identificar recursos ausentes, pontos que precisam ser melhorados e os benefícios e possíveis desvantagens da replataformização. Em seguida, liste os requisitos da replataformização, incluindo as necessidades de mão de obra, as dependências e os prazos estimados.
Transforme os objetivos de negócio em requisitos técnicos, para que a avaliação das plataformas se baseie em resultados mensuráveis.
2. Reunir os stakeholders
A replataformização de e-commerce é um processo colaborativo que envolve tanto as equipes responsáveis pela execução quanto as pessoas que tomam as decisões. Reúna essas pessoas para garantir que todos os grupos afetados pela migração estejam representados e explique por que a mudança de plataforma é necessária.
Alinhe com o grupo os seguintes pontos:
- O que você não consegue fazer com sua plataforma atual
- Quais atividades hoje mais consomem o seu tempo
- O que poderia ser automatizado para economizar tempo e recursos
- Problemas recorrentes da plataforma que causam perda de receita
- Uma estimativa dos recursos internos desperdiçados por causa desses problemas
- Obstáculos à inovação, ao crescimento da loja e à oferta de uma boa experiência ao cliente causados pelo sistema atual
- Quem será responsável pela gestão de mudanças, pelo treinamento e pela adoção interna após a migração
- Como um tipo diferente de plataforma de e-commerce pode aliviar tudo o que foi mencionado acima
- Possíveis riscos da replataformização e da migração, o que esperar durante e depois, e por quê
O objetivo é garantir que todos entendam por que a migração está acontecendo, como o sucesso será medido e quem será responsável por cada frente de trabalho.
Se os stakeholders concordarem que trocar de plataforma é a solução certa, o próximo passo é definir em conjunto o que esperam da nova plataforma.
Antes de avaliar plataformas, esclareça o seguinte:
- Recursos, personalizações e integrações indispensáveis
- Problemas existentes que você precisa resolver
- Funcionalidades necessárias para o crescimento futuro
- Fluxos de trabalho que poderiam ser automatizados
- Dados que precisam ser migrados (como produtos, clientes e pedidos)
- Recursos necessários
- Cronograma-alvo da migração
Contar com uma agência parceira pode facilitar esse processo complexo e ajudar a orientar as conversas e decisões desde o início.
3. Pesquisar uma nova plataforma de e-commerce
Em seguida, vem a fase de descoberta, na qual você pesquisa outras plataformas. Sites como G2, Capterra e Gartner são boas fontes para montar sua lista inicial de fornecedores. Você também pode enviar uma solicitação de proposta (RFP) com seus requisitos, ampliando o leque de fornecedores consultados e reduzindo o trabalho de pesquisa.
Enxugue a lista até chegar a um número viável de fornecedores e agende conversas iniciais com cada um.
Durante essas conversas, faça perguntas como:
- Quanto custa a migração?
- Quanto tempo leva a migração?
- O que o processo de migração envolve?
- Como vocês apoiam os clientes durante o processo de migração?
- Que tipo de suporte contínuo ao cliente vocês oferecem?
- Vocês podem compartilhar dados sobre a velocidade e o tempo de atividade da plataforma?
- Como a plataforma se comporta à medida que aumentam os produtos, as vendas e o tráfego?
- Como vocês garantem a segurança dos meus dados durante a migração?
- Que medidas de segurança e conformidade a plataforma adota?
- Vocês podem compartilhar uma lista das integrações prontas para uso? O que acontece se eu precisar de integrações que ainda não são compatíveis?
Acrescente à lista outras perguntas relacionadas às necessidades específicas do seu negócio. Registre as respostas em um documento compartilhado para que sua equipe possa comparar e avaliar os fornecedores em conjunto.
4. Planejar a migração
Depois de escolher um parceiro de e-commerce, o próximo passo é definir um escopo de trabalho (SOW) e um cronograma realista para a migração. Mapeie os principais marcos, as dependências e os responsáveis por cada frente de trabalho.
A maioria das migrações exige subprojetos para cuidar de etapas como:
- Criar uma nova arquitetura do site
- Migrar conteúdo
- Auditar e excluir conteúdo antigo
- Design de front-end
- Desenvolvimento de back-end
- Treinamento pré e pós-lançamento
- Planejamento da migração de SEO (otimização para mecanismos de busca)
A migração de dados também é uma etapa crítica do planejamento. É nesse momento que você define quais dados precisam ser transferidos e como fazer isso com segurança de uma plataforma para outra. A migração de dados pode ser feita com um serviço de terceiros, uma API, um app ou uma transferência manual por CSV. Converse com sua agência ou provedor de solução sobre a melhor opção para o seu projeto de replataformização.
5. Fazer backup dos dados da sua loja
Mover grandes volumes de dados de uma plataforma para outra é delicado, e às vezes as coisas dão errado, mesmo quando você tem um plano detalhado.
Antes de replataformizar, faça um levantamento da sua loja para catalogar todo o conteúdo existente e identificar todos os dados que você vai migrar para a nova plataforma.
Revise seu conteúdo e defina o que precisa manter e o que deve remover, como materiais antigos, desatualizados ou não otimizados para busca. Isso evita o acúmulo desnecessário de dados e reduz os riscos da migração.
Em seguida, faça backup dos dados atuais do seu negócio, incluindo catálogos, perfis de clientes, histórico de pedidos e as funcionalidades atuais de e-commerce. Mantenha um backup atualizado e organizado para restaurar os dados rapidamente, se necessário.
Registre onde os dados estão armazenados atualmente e como serão organizados na nova plataforma de e-commerce.
6. Projetar e desenvolver o novo site
A fase de design e desenvolvimento provavelmente vai consumir a maior parte do seu tempo e dos seus recursos. É nessa etapa que os designers e a equipe de desenvolvimento criam o front-end e o back-end da nova loja. É também nessa etapa que os dados migrados serão carregados no novo site.
Se houver mudanças significativas que você gostaria de fazer na navegação, no conteúdo, na UX, no design ou na funcionalidade de back-end do seu site, agora é a hora.
Tenha cuidado para não ampliar demais o escopo do projeto. A replataformização é uma oportunidade de modernizar, mas um redesenho excessivo pode gerar atrasos e riscos adicionais.
7. Migrar os dados da loja
Se você tiver as habilidades técnicas e a experiência necessárias, pode migrar manualmente os dados da sua loja por conta própria.
Como alternativa, use um app de migração ou contrate um serviço de migração terceirizado para fazer isso por você. Verifique se o provedor escolhido tem experiência com as plataformas de origem e de destino e se consegue realizar a migração com precisão e segurança.
Confirme que produtos, clientes e pedidos foram transferidos corretamente antes do lançamento. Faça alguns pedidos de teste para verificar se o checkout e os relatórios funcionam como esperado.
8. Otimizar a experiência de checkout
Dependendo da plataforma escolhida, você também pode personalizar e otimizar sua experiência de checkout. Integre à nova plataforma os apps de checkout de terceiros que você já utiliza e otimize o fluxo do usuário.
Este é um bom momento para garantir que o novo fluxo de checkout siga as boas práticas que você definiu no início da fase de planejamento. O objetivo é oferecer aos clientes uma experiência rápida, segura e eficiente.
Como o abandono de carrinho é alto, avalie o checkout para reduzir os pontos de atrito: formulários simplificados, integração com meios de pagamento relevantes (como Pix e cartões), custos de frete transparentes e design mobile-first.
9. Checklist de migração de SEO
A replataformização de e-commerce traz riscos de SEO, mas é possível administrá-los se você tratar o processo como uma mudança de site bem estruturada.
Sempre que você move um site de uma plataforma para outra, mudanças em URLs, na arquitetura do site e no desempenho podem afetar seu posicionamento nos buscadores no curto prazo.
Para reduzir esse risco:
- Faça uma auditoria do conteúdo existente e remova conteúdo antigo e duplicado.
- Confira se todo o conteúdo novo do site está otimizado para as palavras-chave em que você quer aparecer bem nos resultados de busca.
- Migre todos os metadados e dados estruturados do site antigo e otimize-os, se necessário.
Para organizar melhor esse processo, siga as orientações do Google para mudanças de site com alteração de URL:
- Mapeamento de redirecionamentos: mapeie as URLs antigas para as novas páginas equivalentes, priorizando aquelas que recebem mais tráfego ou geram receita. Configure redirecionamentos 301 permanentes sempre que houver correspondência e verifique as limitações de redirecionamento da nova plataforma.
- Validação pré-lançamento: teste os redirecionamentos em um ambiente de staging. Verifique as tags canônicas, os atributos hreflang (para sites internacionais) e as implementações de dados estruturados.
- Configuração do Search Console: adicione e verifique seu novo domínio (ou estrutura de URL) no Google Search Console antes do lançamento. Envie o sitemap XML atualizado assim que o site entrar no ar.
- Monitoramento pós-lançamento: verifique o relatório de cobertura do Search Console diariamente nas primeiras duas semanas. Fique atento a picos de erros 404, problemas de rastreamento ou quedas inesperadas no número de páginas indexadas. Monitore as Core Web Vitals do Google para identificar logo qualquer queda de desempenho.
Depois do lançamento, continue acompanhando o tráfego orgânico, as posições nos buscadores e o SEO técnico com ferramentas como SEMrush ou Ahrefs. Fique de olho em erros 404, problemas de velocidade e outros sinais de possíveis quedas de desempenho.
10. Testar (e testar mais um pouco)
Antes de lançar, faça vários testes da navegação do site, da experiência de checkout, da funcionalidade de front-end e back-end e do processo de seleção de produtos. Teste as principais jornadas dos usuários de ponta a ponta para identificar problemas antes que os clientes os encontrem.
Nessa etapa, passe o site por uma ferramenta de auditoria de desempenho, como o Google PageSpeed Insights, para garantir que todas as páginas carreguem e funcionem como esperado.
Peça às equipes internas que avaliem o site tanto do ponto de vista do negócio quanto do cliente. Peça às partes interessadas que testem o back-end e simulem transações no front-end. Reúna todo o feedback e inclua nos ajustes finais antes do lançamento.
11. Lançar o site
O lançamento em si deve ser relativamente simples. Escolha uma janela de lançamento que atrapalhe o mínimo possível seus clientes. Se possível, trabalhe com sua agência ou parceiro de solução para criar um checklist de lançamento com antecedência, para executar as tarefas na ordem certa.
12. Monitorar após o lançamento
Por fim, um plano estruturado de monitoramento ajuda você a identificar problemas antes que eles afetem a receita.
Primeiras 72 horas: monitore em tempo real as taxas de conclusão de checkout, o processamento de pagamentos, as confirmações por e-mail e os redirecionamentos. Mantenha a equipe técnica de sobreaviso para resolver qualquer problema imediatamente. É nesse período que costumam aparecer os bugs mais críticos.
Primeiras duas semanas: revise diariamente as tendências de tráfego orgânico e as posições de busca. Verifique no Google Search Console eventuais erros de rastreamento, problemas de indexação e quedas nas Core Web Vitals. Compare receita, taxas de conversão e ticket médio com os indicadores de antes da migração.
Primeiros 60 dias: conduza uma revisão completa de desempenho. Audite a velocidade do site, as taxas de abandono de checkout e a receita em relação aos seus objetivos de migração. Reúna feedback interno sobre os fluxos de trabalho e resolva lacunas de adoção. Conclua a migração dos dados delta, se necessário, para incluir pedidos e cadastros de clientes criados durante a transição.
Por que as empresas de e-commerce fazem a replataformização?
As empresas de e-commerce replataformizam por vários motivos, geralmente relacionados ao estágio de crescimento do negócio e às suas necessidades operacionais. Na maioria dos casos, a motivação é resolver limitações existentes ou liberar novas funcionalidades (ou as duas coisas ao mesmo tempo).
Entre os problemas que essas empresas buscam evitar ou resolver estão:
- Desempenho ruim do site
- Problemas de velocidade e responsividade do site
- Lacunas de funcionalidade na plataforma atual
- Painel administrativo ou back-end de baixa qualidade
- Manutenção demorada e cara
- UX ruim
- Dívida técnica crescente
- Falta de inovação da plataforma
- Falta de escalabilidade
- Infraestrutura pouco confiável
Além disso, essas mesmas empresas podem estar em busca de:
- Melhor escalabilidade
- Melhor experiência do cliente
- Integrações e apps modernos
- Praticidade, segurança e bom custo-benefício
- Experiências de checkout personalizadas e otimizadas
- Melhor rastreamento e análise de dados
- Manutenção e atualizações mais fáceis do site
- Maior segurança do site e dos dados
"As empresas de e-commerce podem migrar suas operações online para outra plataforma para expandir o negócio e oferecer uma experiência melhor aos usuários", diz Alexandra Fennel, cofundadora e CEO da Attn: Grace. "Elas optam pela replataformização quando o provedor atual apresenta problemas técnicos frequentes que prejudicam as taxas de conversão ou não consegue evoluir rápido o suficiente para acompanhar a concorrência."
Segundo Monte Deere, CEO da Kizik, isso também aumenta a credibilidade da empresa perante os clientes. "Quem não se impressiona com uma empresa e passa a confiar mais nela quando sua loja virtual é tão sofisticada e intuitiva quanto a da Apple?", questiona Monte.
A lentidão do site, que levava à perda de vendas, foi exatamente o que motivou a Bombas a migrar para a Shopify.
Após a receita crescer de US$ 300 mil em 2013 para US$ 4,7 milhões em 2015, os fundadores da Bombas, David e Andrew Heath, fecharam um acordo com Daymond John no programa Shark Tank. Com esse sucesso, o site passou a receber mais tráfego do que conseguia suportar: eram 4.000 transações por dia, embora a plataforma comportasse apenas 500.
As imagens dos produtos deixavam de carregar, os clientes não conseguiam finalizar a compra e as perdas chegaram a US$ 15 mil em poucos minutos. O incidente deixou claro que a plataforma precisava suportar um volume maior de operações. O processo foi trabalhoso e custou cerca de US$ 150 mil, mas trouxe bons resultados. A migração para a Shopify gerou uma economia de cerca de US$ 108 mil em custos de plataforma só no primeiro ano.
Para a equipe da Bombas, o que motivou a replataformização foi uma infraestrutura pouco confiável que causava perdas de receita. A mudança trouxe mais escalabilidade, inovação e retorno quase imediato sobre o investimento.
Plataformas e tipos de e-commerce a considerar
As plataformas de e-commerce podem ser classificadas conforme seu modelo de implantação, como SaaS, on-premise ou nuvem (IaaS), e também pela arquitetura adotada, como headless ou composable. Essas escolhas influenciam os custos recorrentes, as necessidades de manutenção, a flexibilidade e a escalabilidade do negócio.
| Tipo de plataforma | Como funciona | Principais benefícios | Principais considerações | Mais indicada para |
|---|---|---|---|---|
| SaaS | Baseada em assinatura; infraestrutura construída e mantida pelo provedor | Preço previsível; atualizações automáticas; segurança e conformidade integradas; lançamentos mais rápidos | A personalização pode ser mais limitada do que na on-premise; depende do roteiro do fornecedor | Marcas em crescimento que priorizam confiabilidade, agilidade para chegar ao mercado e menor custo operacional |
| On-premise | Hospedada em infraestrutura própria da empresa; construída e mantida por equipes internas ou de terceiros | Controle total sobre código, hardware e segurança; personalização bastante detalhada | Altos custos de infraestrutura e de pessoal; a escalabilidade em períodos de pico exige planejamento | Grandes empresas com equipes técnicas robustas e requisitos rígidos de soberania de dados |
| Nuvem (IaaS) | Hospedada por um provedor de nuvem terceirizado (por exemplo, AWS, Azure); a empresa desenvolve e mantém a plataforma | Sem necessidade de ter hardware próprio; backups de dados simples; escala em picos de tráfego; acesso ao código-fonte | Ainda exige investimento em engenharia; os custos podem disparar em períodos de tráfego alto | Marcas que precisam de flexibilidade na infraestrutura sem precisar manter tudo em servidores próprios |
| Composable/headless | Componentes especializados (CMS, busca, checkout e OMS) conectados por APIs; front-end desacoplado do back-end | Flexibilidade máxima; controle detalhado de cada componente; comporta stacks complexas e multirregionais | Alta complexidade; exige uma equipe técnica forte para lidar com vários fornecedores | Grandes empresas com requisitos especializados de front-end ou que buscam experiências altamente diferenciadas para o cliente |
SaaS
As plataformas de e-commerce SaaS são soluções baseadas em assinatura, construídas e mantidas por um provedor terceirizado. Na prática, as empresas pagam pelo uso do software, sem precisar construir e manter uma infraestrutura própria.
Lojas em crescimento ou que priorizam facilidade de uso e confiabilidade devem considerar uma solução SaaS. Nos modelos SaaS, o provedor costuma assumir a infraestrutura, o tempo de atividade e a segurança, o que reduz seu custo operacional.
Os benefícios das plataformas de e-commerce SaaS incluem:
- Preço previsível baseado em assinatura
- Não é preciso ter uma equipe técnica em tempo integral para cuidar de servidores ou da segurança
- Acesso a suporte contínuo e a serviços de acompanhamento do sucesso do cliente
- Infraestrutura que acompanha o crescimento do negócio
- Grande variedade de integrações e apps de terceiros
- Atualizações automáticas de software e segurança
- Lançamentos de loja mais rápidos
Em relação à segurança, vale destacar que o PCI DSS v4.0.1 é o padrão de conformidade atual, com novos requisitos em vigor desde março de 2025. Plataformas SaaS como a Shopify cuidam disso de forma nativa, o que pode simplificar as exigências durante o planejamento da migração. Para equipes que usam configurações on-premise ou em nuvem, atender ao padrão atualizado acrescenta mais um item ao seu checklist de migração.
On-premise
As plataformas de e-commerce on-premise (locais) são desenvolvidas com recursos da própria empresa e hospedadas em servidores locais. Equipes internas ou terceirizadas de desenvolvimento e engenharia cuidam de todo o desenvolvimento e da manutenção contínua, além de serem responsáveis pela infraestrutura técnica e pela segurança.
Os benefícios das soluções de e-commerce on-premise incluem:
- Controle total e acesso direto ao código do site e ao hardware
- Controle total sobre a segurança da plataforma e da rede
- A capacidade de fazer otimizações altamente personalizadas e granulares no site
Embora os sistemas legados on-premise sejam uma boa opção para empresas com equipes técnicas robustas, eles exigem recursos internos significativos. Entre infraestrutura, salários de funcionários, segurança e assistência de terceiros, as despesas contínuas podem se acumular rapidamente. Os custos tendem a crescer conforme o tráfego e a complexidade.
A equipe interna também fica responsável pelo desempenho, pelos backups, pela disponibilidade, pela segurança e pela escalabilidade do site, o que significa que pode ser difícil se adaptar rapidamente para atender a temporadas de pico e novas oportunidades de mercado.
Nuvem
As plataformas de e-commerce em nuvem combinam características das soluções SaaS e on-premise, e usam um modelo de infraestrutura como serviço (IaaS). Ou seja, a empresa hospeda seu e-commerce na nuvem por meio de um provedor como Amazon Web Services ou Microsoft Azure.
Embora utilizem a infraestrutura de armazenamento e hardware de um provedor terceirizado, as empresas que adotam esse modelo continuam responsáveis pelo desenvolvimento e pela manutenção da plataforma de e-commerce.
Os benefícios das soluções de e-commerce em nuvem incluem:
- Dispensar a compra ou a locação de infraestrutura própria, que pode ser cara
- Backups de dados fáceis e escalabilidade em períodos de pico
- Aproveitar os recursos de segurança oferecidos pelos grandes provedores de IaaS
- A capacidade de modificar e otimizar o código-fonte da plataforma
- Personalização completa de recursos, experiência do usuário e funcionalidade de back-end
Embora as plataformas de e-commerce em nuvem exijam menos recursos internos do que as soluções on-premises, elas ainda exigem investimento em engenharia e infraestrutura. As empresas precisarão pagar pelo uso da infraestrutura de IaaS e ainda dependerão de uma equipe altamente técnica para desenvolver e manter o e-commerce. Os custos também tendem a disparar nos períodos de pico de tráfego, quando são necessários recursos de computação adicionais.
A abordagem composable/headless
Um número crescente de grandes marcas está considerando o commerce composable e as arquiteturas headless ao planejar a replataformização. Em vez de adotar uma única plataforma monolítica, o commerce composable permite combinar componentes especializados, como CMS, busca, checkout e sistemas de gestão de pedidos (OMS), e conectá-los por meio de APIs.
Essa abordagem oferece grande flexibilidade, mas o preço é uma complexidade adicional. Você precisará de uma equipe técnica experiente para gerenciar os relacionamentos com vários fornecedores e cuidar das integrações.
Vale a pena considerar o commerce composable se você tiver necessidades muito específicas para o front-end. É uma boa opção se sua empresa opera em várias regiões com diferentes conjuntos de tecnologias, ou precisa de controle granular sobre componentes individuais da experiência do cliente.
Para muitas marcas, porém, uma plataforma SaaS moderna pode oferecer flexibilidade semelhante à do composable, sem os mesmos custos operacionais. O framework headless da Shopify, por exemplo, oferece recursos headless em uma infraestrutura totalmente gerenciada.
Criando seu plano de replataformização de e-commerce
O planejamento é a etapa mais importante de um projeto de replataformização de e-commerce. Sem um planejamento adequado, você corre o risco de pular etapas importantes, ultrapassar os limites de prazo e orçamento e cometer erros caros que podem prejudicar o seu negócio.
"O maior risco da migração de e-commerce é não planejar direito", diz Nathan Lomax, cofundador da Quickfire Digital. "Tentar concluir a replataformização em pouco tempo pode causar problemas mais adiante: dados valiosos podem ser perdidos, e a visibilidade nos mecanismos de busca pode cair drasticamente e você acaba passando um longo período, após o lançamento, tentando corrigir o que deveria ter sido resolvido com facilidade antecipadamente", afirma.
Para evitar erros custosos, concentre o planejamento nestes cinco pontos principais.
Analise as necessidades do seu negócio
Boa parte desse planejamento se baseia nos pontos apresentados anteriormente. Nesta etapa, os objetivos do negócio devem orientar todas as decisões de planejamento.
É fundamental que você tenha uma compreensão completa das necessidades e dos requisitos do seu negócio para a nova plataforma. Essa análise deve considerar tanto as limitações atuais quanto as necessidades futuras da empresa.
"Normalmente, os programas de e-commerce bem-sucedidos envolvem vários departamentos", diz Kevin Patel, CEO da Convrrt. "Certifique-se de levantar todos os requisitos conversando com as diferentes equipes da empresa. Monte uma lista do que é essencial e desejável no momento e outra com os recursos que poderão ser necessários no futuro."
Faça um balanço das limitações da plataforma, do custo de manutenção e do impacto na receita. Transforme essas informações em metas e cronogramas, definindo prioridades.
Se a replataformização de e-commerce for a decisão certa para a sua empresa, também é importante entrar no processo com expectativas claras.
"Muitas vezes, é um processo caro, pois você perde parte do investimento feito na plataforma original", explica Fennel. "Ele exige treinar os funcionários novamente e pode afetar os dados dos clientes, o que pode levar a uma experiência confusa e frustrante para o usuário. Se você precisar trocar de plataforma, identifique quais áreas do negócio podem ser prejudicadas para otimizar as operações e evitar interrupções no serviço."
Elabore uma RFP
Uma solicitação de proposta pode ajudar a formalizar seus requisitos antes de conversar com os fornecedores.
Sua RFP de e-commerce pode ser tão detalhada ou tão geral quanto você quiser. Quanto mais específicos forem seus requisitos, mais personalizadas serão as respostas dos fornecedores. Tenha em mente, porém, que as RFPs também podem fazer com que alguns fornecedores desistam de concorrer, mesmo que sejam candidatos parcialmente adequados.
Ao criar sua RFP, considere:
- Por que você está migrando e em quanto tempo quer relançar?
- Quais são seus objetivos?
- Nos períodos de pico, quais são os volumes de tráfego, checkouts e vendas?
- Como você implementa hoje mudanças de design, produto e UX?
- Que canais de venda você usa?
- Qual é sua abordagem atual para o comércio internacional?
- Você tem alguma personalização especializada ou configuração específica de produtos?
- Quais são seus custos operacionais atuais?
- Quais marcas você admira ou considera referências?
- Quais ferramentas de terceiros, softwares internos e parceiros externos são indispensáveis e precisam ser mantidos?
Use uma tabela de pontuação compartilhada para avaliar as respostas de forma objetiva.
Conheça seu custo total de propriedade
Avaliar o custo total de propriedade (TCO) das plataformas de e-commerce consideradas é fundamental para tomar a decisão certa para o seu negócio.
Ao calcular o TCO, leve em conta tanto o investimento inicial na migração quanto os custos operacionais contínuos da sua nova plataforma. As principais categorias de custo incluem:
- Custos de migração: migração de dados, licenciamento da plataforma, taxas de agência ou parceiro, treinamento dos funcionários para as novas ferramentas e tempo de inatividade durante a transição
- Custos contínuos da plataforma: hospedagem, correções de segurança, manutenção, desenvolvimento personalizado, testes de desempenho e testes de aceitação do usuário
- Custos ocultos: sobretaxas em picos de tráfego, desenvolvimento personalizado de checkout, licenças adicionais para habilitar novos recursos, custo de gerenciamento de conteúdo e taxas de apps ou integrações que não faziam parte do orçamento original
É aqui que entender as nuances de cada tipo de plataforma de e-commerce é importante. Plataformas on-premise e em nuvem podem ter despesas adicionais que aumentam seu custo total de propriedade, além das taxas iniciais de licenciamento. As estruturas de custo variam conforme o modelo de plataforma, especialmente em relação aos requisitos de infraestrutura e de pessoal.
Algumas plataformas SaaS incluem infraestrutura e segurança no contrato de licenciamento principal, o que melhora a previsibilidade dos custos. A Shopify, por exemplo, elimina estruturas inteiras de custo da equação ao garantir que a maioria dos recursos essenciais de que você precisa já esteja incorporada à plataforma.
Certifique-se de mapear com clareza todos os custos adicionais e contínuos associados a cada provedor de plataforma que você está considerando. O custo total de propriedade inclui o custo da migração, as taxas de licenciamento e as despesas contínuas de manutenção.
Entenda quais integrações são necessárias
Antes de escolher outra plataforma de e-commerce, também é útil identificar todas as tecnologias que você usa atualmente e quais delas precisarão ser integradas à nova solução.
Por exemplo, você pode precisar integrar seu software atual de planejamento de recursos empresariais (ERP), CRM ou automação de marketing. Cada possível parceiro de e-commerce deve esclarecer quais integrações são nativas e quais exigem trabalho e investimento adicionais. Em alguns casos, pode haver um app de e-commerce alternativo que seja uma opção mais econômica do que sua solução atual.
Se você já fez uma auditoria da sua stack de tecnologia, use os resultados para validar os requisitos de integração, sem repetir o processo.
Determine como os dados serão transferidos
Transferir dados é uma das partes mais importantes e delicadas do processo de replataformização de e-commerce. É fundamental garantir que todos os dados essenciais de clientes e produtos sejam transferidos com segurança, precisão e no formato correto.
Existem quatro maneiras principais de transferir dados de uma plataforma de e-commerce para outra:
- Transferência manual: sua equipe ou agência parceira pode importar produtos e informações de clientes por meio de arquivos CSV. Essa opção costuma ser adequada para lojas menores, mas nem todos os tipos de dados podem ser importados dessa forma.
- Apps de migração: ferramentas disponíveis na Shopify App Store podem automatizar a transferência de produtos, clientes e histórico de pedidos, conforme a plataforma de origem. Entre as opções estão Matrixify, Cart2Cart e outros aplicativos especializados.
- APIs: equipes de desenvolvimento ou agências parceiras podem utilizar as APIs da Shopify para criar processos personalizados de migração, especialmente quando há grandes volumes de dados ou integrações complexas.
- Parceiros especializados: você também pode contratar um Parceiro da Shopify para planejar e executar a migração, incluindo o mapeamento de dados, as importações e a validação dos resultados.
Antes de iniciar a transferência, faça um backup e desative as notificações enviadas aos clientes pela plataforma de destino para evitar confusão.
Para e-commerces de alto volume, também vale fazer uma migração delta. Trata-se de uma importação adicional de dados, realizada pouco antes do lançamento do novo site, para incluir os pedidos e cadastros de clientes registrados na plataforma antiga após a transferência inicial.
Reúna-se com todas as pessoas certas
Embora possa ser tentador envolver muitas pessoas na migração de um e-commerce, isso pode deixar as responsabilidades pouco claras.
Em vez disso, defina papéis e responsabilidades claros desde o início. Em um projeto de replataformização de e-commerce de grande porte, os envolvidos podem incluir:
- Stakeholders internos
- Parceiros de plataforma
- Equipes internas de marketing
- Equipes internas de TI
- Agências de busca e marketing
- Agências de e-commerce
- Um consultor de migração
"Quando várias agências e equipes internas estão envolvidas, aumenta o risco de tarefas passarem despercebidas. Coloque o seu melhor gerente de projetos no caso para manter o projeto e todos os envolvidos no caminho certo", diz Nathan Lomax, da Quickfire Digital.
Dependendo do parceiro de e-commerce escolhido, ele pode contar com especialistas internos para ajudar a gerenciar a migração. Se não, considere firmar uma parceria com um consultor de migração para ajudar a determinar quem deve estar envolvido e qual é o papel de cada um.
Checklist de replataformização e migração de e-commerce
A replataformização de e-commerce é um processo trabalhoso, com muitas etapas e pessoas envolvidas. Para facilitar o acompanhamento, confira este checklist resumido de migração de e-commerce, organizado de acordo com as etapas acima.
- Audite seu e-commerce atual e identifique os principais problemas.
- Reúna seus principais stakeholders e alinhe os objetivos da migração.
- Defina as necessidades do seu negócio, os requisitos da plataforma e as metas de longo prazo.
- Crie uma solicitação de proposta (RFP) ou avalie possíveis soluções de e-commerce.
- Planeje a migração e prepare uma lista de tarefas pré-lançamento, incluindo:
- Migração de dados e conteúdo
- Organização de dados
- Criação de novas páginas e conteúdo (se necessário)
- Atualizações de navegação e hierarquia do site
- Design de front-end e back-end
- Design responsivo
- Mapeamento de integrações
- Treinamento da equipe
- Prepare um plano de migração de SEO, incluindo:
- Considerações de SEO técnico
- Mapeamento de redirecionamentos (redirecionamentos 301)
- Definição de indicadores de referência de tráfego e KPIs
- Monitoramento de tráfego e KPIs após o lançamento
- Plano para medir questões como erros 404, quedas de tráfego e mudanças de posicionamento
- Crie um plano de lançamento, incluindo:
- Testes abrangentes de toda a funcionalidade do site, links, experiência de checkout etc., antes do lançamento
- Definição do horário exato em que o novo site entrará no ar
- Escala de quem estará de plantão para iniciar o lançamento do site e resolver problemas
- Acesso ao registrador de domínios e redução do time-to-live (TTL) ao mínimo possível para agilizar a propagação do DNS no dia do lançamento
- Lançamento do site por meio do sistema de nomes de domínio (DNS) no dia do lançamento
- Bloqueio de alterações na loja antiga durante a mudança de DNS
- Plano de contingência caso algo dê errado durante o processo
- Crie um plano pós-lançamento, incluindo:
- Monitoramento e testes da funcionalidade de checkout
- Monitoramento e testes de confirmações e notificações por e-mail
- Monitoramento e testes da funcionalidade de análise de dados e relatórios
- Auditoria técnica para verificar se o sitemap XML da nova loja está acessível e atualizado e se os códigos de análise e rastreamento estão funcionando
- Monitoramento contínuo de tráfego e posições de busca
- Verificação se os links de e-mail e os arquivos para download continuam funcionando
- Garantia de que os usuários ainda consigam baixar arquivos e se inscrever na newsletter
- Faça backup dos dados da sua loja atual antes da migração.
- Migre os dados da loja e confirme a precisão.
- Otimize a experiência de checkout.
- Conduza testes funcionais e de desempenho.
- Lance seu site e verifique DNS, pagamentos e rastreamento.
- Monitore o desempenho após o lançamento: Primeiras 72 horas: pedidos, pagamentos, análise de dados, redirecionamentos Primeiras duas semanas: tráfego, posições, indicadores de referência de receita Primeiros 60 dias: revisão de desempenho e adoção dos fluxos de trabalho
Serviços de migração de dados e replataformização de e-commerce
Como mencionado, a migração de dados de e-commerce é um componente crítico do processo de replataformização. Dependendo da complexidade, você pode precisar de ferramentas especializadas ou suporte externo para concluir o processo.
Confira algumas ferramentas e opções para empresas que querem migrar para a Shopify.
Apps de migração de terceiros
A Shopify App Store oferece uma variedade de apps para transferir dados de uma plataforma de e-commerce para a sua loja Shopify. Esses apps transferem listas de produtos, dados de clientes, histórico de pedidos e outras informações relevantes.
Os apps de migração de terceiros da Shopify App Store podem reduzir o trabalho manual em lojas com estruturas de dados padronizadas.
APIs
Se sua empresa tiver uma equipe interna de desenvolvimento ou orçamento para contratar profissionais externos, você poderá criar e usar uma API para transferir os dados. Essa abordagem costuma ser adotada por grandes lojas com muitos dados que exigem mapeamento de dados personalizado ou integrações.
Parceiros de agência
Os parceiros de agência terceirizados por meio da Shopify Partners podem apoiar empresas com recursos internos limitados ou necessidades de migração especializadas. Essas agências podem criar um plano de migração de e-commerce personalizado, considerando as necessidades atuais e futuras da empresa.
Por exemplo, a Great Little Trading Company contou com a especialista em e-commerce Underwaterpistol para gerenciar a migração, incluindo a experiência do usuário, o design, a otimização de SEO e os dados de 800 produtos e 1,1 milhão de registros de clientes.
Perguntas frequentes sobre guia de migração de plataforma de e-commerce
O que é migração de e-commerce?
A replataformização de e-commerce é o processo de transferir um e-commerce inteiro, junto com os sistemas por trás dele, de uma plataforma para outra. Isso inclui transferir para a nova plataforma todos os elementos da plataforma original, como produtos, coleções, páginas, posts de blog e informações de clientes e pedidos.
Quais são as etapas de uma migração de e-commerce?
As principais etapas incluem identificar suas necessidades e prioridades de replataformização, reunir as partes interessadas e pesquisar uma nova plataforma. Depois, você deve planejar a migração, fazer backup dos dados e projetar e desenvolver a nova loja. A partir daí, migre os dados, otimize o checkout, siga um checklist de migração de SEO, realize testes minuciosos, lance o site e monitore seu desempenho de forma estruturada. O escopo e o cronograma variam conforme o tamanho da loja, as integrações e os recursos internos.
Quanto tempo leva a replataformização de e-commerce?
Os prazos variam bastante conforme o tamanho e a complexidade da loja, as plataformas envolvidas e a escolha entre uma migração completa e uma migração por etapas. Lojas menores que migram para uma plataforma SaaS podem concluir o processo em 8 a 12 semanas. Migrações maiores ou mais complexas, envolvendo desenvolvimento personalizado ou requisitos multirregionais, podem levar seis meses ou mais. Trabalhar com uma agência experiente ou um consultor de migração pode ajudar a encurtar o prazo e evitar atrasos comuns.
Por que as empresas de e-commerce fazem a replataformização?
As empresas de e-commerce recorrem à replataformização quando a plataforma atual passa a limitar o crescimento, em vez de impulsioná-lo. Os motivos comuns incluem problemas de desempenho recorrentes, dívida técnica acumulada, flexibilidade limitada de checkout ou personalização, ou custos crescentes de manutenção. Em muitos casos, a replataformização se torna necessária quando o custo e a complexidade de manter o sistema atual superam os benefícios de modernizá-lo.
Quanto custa a replataformização de e-commerce?
Os custos de replataformização variam bastante conforme a complexidade da loja, as plataformas envolvidas e se você usa recursos internos ou parceiros externos. As principais categorias de custo incluem migração de dados, licenciamento da plataforma, taxas de agência, requalificação da equipe e manutenção contínua. Segundo o estudo Time to Value, baseado em pesquisa encomendada pela Shopify e publicada pela EY em 2025, as marcas que migram para a Shopify estimam custos de implementação, em média, 23% menores que os da concorrência e são 3 vezes mais propensas a respeitar o orçamento.
Como proteger o SEO durante uma migração de plataforma de e-commerce?
Proteger o SEO durante uma migração exige tratar o processo como uma mudança estruturada de site. Crie um mapa abrangente de redirecionamentos 1:1 para todas as URLs indexadas, usando redirecionamentos 301, migre todos os metadados e dados estruturados e verifique seu novo domínio no Google Search Console antes do lançamento. Depois de entrar no ar, monitore o Search Console diariamente nas primeiras duas semanas para detectar erros de rastreamento, problemas de indexação ou quedas nas Core Web Vitals antes que afetem as posições de busca.

